terça-feira, 5 de março de 2013

a menina sentada no vértice



A menina sentada no vértice
não sabia

que você viria com a vida
para recolhê-la da vida

que você viria com cem solidões
para que fossem compreendidas

que você viria com o sofá chesterfield
em couro puído de elegância
para adormecê-la feito musa
cindida
em cem partes iguais
de incomunicabilidade




terça-feira, 17 de abril de 2012

pirilampo das manhãs

Os vagalumes vieram essa noite
Você acordou cedo, mas não tão cedo

Toda noite eu me levanto
para sentir seu cheiro
Ele se espalha pela casa
e faz os gatos correrem
Eles saltam e espreitam
para tentar capturá-lo
Seu cheiro de pirilampo e amigo das manhãs

Os vagalumes vieram essa noite
Você acordou cedo, mas não tão cedo

Eram mesmo vagalumes? eu não sei...
Nos seus olhos brilham lágrimas cintilantes e confusas
Presas a ponta dos seus negros cílios, nunca se derramam

Meu coração é tapete da sua alma, meu filho
Cuida que o chão é gelado...
Amanhã eu te conto como foi a noite

terça-feira, 13 de outubro de 2009

o primeiro poema eu te dou - 2ª versão

.
.
.
nada em mim é sensação de antes
depois de você
desacostumada de mim mesma

tudo o que me diz me soa estranho
e intrigada
eu faço garça
entendê-lo

não é como se houvesse uma existência depois da sua
não é como se houvesse uma existência antes de você
você nasceu;
eu nasci junto
e só agora me foi concedido envelhecer


eu não me ressinto
quando o tempo passa
é que o tempo passa

.
.
.
.




o primeiro poema eu te dou

.
.
.
nada em mim é sensação de antes
depois de você
desacostumada de mim mesma

tudo o que me diz me soa estranho
e apaixonada
eu faço garça entendê-lo
.
.
.
.

terça-feira, 18 de agosto de 2009




a gata Lilia Brik
não é branca,
não é russa,
não tem olhos grandes e expressivos,
não gosta de Vladímir ou Óssip
e certamente vai se matar aos 80 anos.